Poeiras sobre a Península Ibérica

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O transporte de poeiras oriundas das regiões desérticas do norte de África através dos movimentos do ar na atmosfera é um fenómeno relativamente comum. Em Portugal, as regiões mais afetadas são o arquipélago da Madeira e o Continente pela sua proximidade com continente africano.

No dia 21 de fevereiro de 2016 foi possível detetar a presença de poeiras nos níveis baixos e médios da troposfera através de composição de imagens obtidas pelo satélite MSG, em particular o produto RGB Poeiras.

O produto RGB Poeiras é composto pelos dados dos canais IR8.7, IR10.8 e IR12.0. Esta composição de canais está disponível durante o dia e durante a noite visto que apenas utiliza canais da banda do infravermelho. A resolução temporal é de 15 min e a espacial cerca de 4 km na latitude de Portugal.

As composições RGB (Red, Green, Blue) permitem, através da escolha dos canais atribuída a cada cor ou diferenças entre canais, realçar padrões na atmosfera ou neste caso a presença de aerossóis. A composição específica para o RGB Poeiras encontra-se na figura 1.

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Fig. 1 – Composição RGB, intervalo de temperatura e contraste no RGB Poeiras. Fonte: EUMETSAT

As poeiras em suspensão e/ou tempestades de areia à superfície podem ser, em geral, identificadas no produto RGB Poeiras através da cor magenta (fig. 2).

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Fig. 2 – Composição RGB que resulta na cor magenta em presença de poeiras no produto RGB Poeiras do satélite MSG. Forte componente de vermelho e de azul e fraca componente de verde.

 

A forte componente de vermelho resulta do facto da absorção, pelas poeiras, na banda IR10.8 ser maior do que na banda IR12.0. A diferença IR12.0-IR10.8 é positiva. A forte componente de azul resulta do facto das poeiras se encontrarem a níveis relativamente baixos na troposfera (no caso de poeiras em suspensão) ou na superfície (no caso de tempestades de areia) pelo que se encontram a uma temperatura relativamente alta. Durante a noite, as partículas em suspensão estão a uma temperatura mais baixa, logo a contribuição da cor azul diminui. Assim, durante a noite a tempestade de areia, por exemplo, no RGB Poeiras adquire um tom violeta (maior contribuição de vermelho e menor de azul) e durante o dia adquire um tom magenta (contribuição azul e vermelho semelhantes). A fraca ou nenhuma componente de verde está relacionada com a diferente emissividade das poeiras nas bandas IR8.7 e IR10.8. A diferença IR10.8-IR8.7 é muito pequena devido à menor emissividade da areia no solo na banda IR8.7.

No dia 21 de fevereiro de 2016, uma região depressionária centrada a nordeste do arquipélago das Canárias e que se encontrava praticamente estacionária desde o dia 19, originou tempestades de poeira em Marrocos. Durante este período, as areias em suspensão foram transportadas na circulação conjunta da referida depressão e de um anticiclone que se estabeleceu sobre a Argélia e que se estendeu em crista em direção à Península Ibérica (fig. 3)

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Fig. 3 – Análise de superfície às 12UTC do dia 21 de fevereiro de 2016. Fonte: DWD

Na figura 4, pode ver-se assinalado, pela  linha branca tracejada, a região de poeiras em suspensão às 21 UTC do dia 21 e na figura 5 pode ver-se, através de uma secção vertical sobre Lisboa, a altitude prevista da concentração de poeiras para  as 00UTC do dia 22 de fevereiro.

 

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Fig. 4 – Imagem RGB Poeiras do satélite MSG às 21UTC do dia 21 de fevereiro de 2016. As poeiras em suspensão encontram-se na região assinalada pela linha branca tracejado.

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Fig. 5 – Secção Vertical sobre Lisboa do modelo numérico de previsão de poeiras BSC-DREAM8b para as 00UTC do dia 22 de fevereiro de 2016 com base nas 12UTC do dia 21. Secção vertical ao longo do meridiano na imagem em cima e secção vertical ao longo do paralelo na imagem em baixo. Fonte: http://www.bsc.es/earth-sciences/mineral-dust-forecast-system/bsc-dream8b-forecast/

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