Episódio de tempo severo no Algarve e Baixo Alentejo nos dias 24 e 25 de outubro de 2016

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Entre aproximadamente as 12UTC de dia 24 de outubro 2016 e as 12UTC de dia 25 do referido mês, ocorreu precipitação forte no Algarve e no Alentejo. De acordo com o IPMA ocorreram ainda 4 tornados no dia 24, um em Olhão às 19:45, outro no concelho Serpa antes das 21:45, outro em Pedrogão, no concelho da Vidigueira, cerca das 23:00, e por último, já depois da meia-noite, na madrugada de dia 25, um que afetou uma exploração agrícola novamente no concelho de Serpa. Adicionalmente, durante a tarde de dia 25, há relatos de funnel clouds em Santa Cruz no Concelho de Torres Vedras e no Concelho de Loures, ainda que não confirmados pelo IPMA.

Nos níveis médios e altos da atmosfera podia identificar-se a partir das 00UTC de dia 24 outubro e pelo menos até às 12UTC de dia 25, o ramo ascendente de um cut-off barotrópico centrado a oes-sudoeste de Portugal continental, inserido numa onda longa e de grande amplitude, que se estendia desde o Atlântico ocidental até à Península Ibérica, em deslocamento lento para su-sueste, e que é compatível com as imagens WV6.2 abaixo. Podia inferir-se, de uma forma geral em toda a troposfera, advecção quente, mais evidente na região Sul/regiões a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, assim como uma advecção continuada de humidade, em particular nos níveis baixos associada a uma massa de ar tropical húmido com TetaSw 14/16ºC. Estes pressupostos são compatíveis com uma atmosfera instável em profundidade, sobretudo no Alentejo e Algarve, embora não fossem expectáveis valores da CAPE substancialmente elevados. De facto, os valores da CAPE no referido período eram relativamente modestos sobre a região Sul, e variavam aproximadamente entre 300 e 700 J/kg. No entanto, a deficitária inibição à convecção e as baixas altitudes do LCL, da ordem dos 200 metros, em particular no Algarve e Alentejo, poderiam potenciar a convecção profunda com uma certa espontaneidade, bem como as trovoadas. Adicionalmente, e de forma relevante, podia inferir-se shearing exuberante em profundidade (0-6km), assim como na camada 0-1km, na qual se podia igualmente identificar shear direcional, associado a advecção quente. Nomeadamente no baixo Alentejo e Algarve, a sobreposição espaço-temporal destes ingredientes, no período entre aproximadamente as 09UTC de dia 24 e as 12UTC de dia 25, poderia fornecer condições necessárias à formação de updrafts rotativas, bem como supercélulas com movimento para a direita, e mesociclones, e de forma mais benigna, convecção multicelular. Atendendo ainda à estacionaridade da situação sinóptica no referido período, não se poderiam excluir fenómenos do tipo training e clustering sobre a referida região.

Assim, no Baixo Alentejo e Algarve, a precipitação além de por vezes forte, poderia ser persistente e acompanhada de trovoadas frequentes, com risco elevado de cheias. É igualmente sugerido a existência de condições necessárias para a ocorrência de tornados, ou rajadas fortes associadas ao transporte vertical perturbado de momento horizontal.

A análise desta situação, elaborada antecipadamente com o RUN das 12UTC de dia 22, revelava um potencial acrescido para existência severidade do estado do tempo em particular no Algarve e no baixo Alentejo nos dias 24 e 25 de outubro, tal como efetivamente se confirmou.

Previsões ECMWF:

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Tefigrama previsto ECMWF Faro:

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OBSERVAÇÕES

Radar Loulé/Cavalos Caldeirão MAXZ

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Observações estações IPMA- Dia 24 de outubro 2016

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Observações- Dia 25 de outubro 2016

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Imagens satélite WV6.2

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Observações- Dia 25 de outubro 2016

Imagens de video-amador

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